Juízes.

Observam; medíocres.

Há uma multidão, julgando-me. Cada ato meu é calculado. Se decido caminhar até a cozinha, olhos acusadores me seguem. Preciso pedir licença.

O mar de corpos não se move, afoga.

Preciso sair de perto, mas estão em todos os lugares; começo a pensar no que estão pensando de mim, mesmo sem querer.

Agora sou um dos acusadores de mim mesmo.

Meu reflexo questiona, eu questiono. Espelho, espelho meu, por que me julgas?

Começo a julgar o mar acusador e cada um deles se sente inferior a mim e passam a recuar. Sou onipotente.

Eu entendo.

Meu reflexo também.

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