Das Vezes Em Que Te Esqueci

[…] E me lembrei de mim.

Estava eu sorrindo, como se a vida fosse um sopro leve e eu poderia, se quisesse, encontrar os cantos dos encantos. Daí lembrei de nós dois e me senti culpado.

Culpado por me sentir feliz e vencer tudo aquilo que ficou lá atrás, culpado pois a sensação de que eu deveria estar sofrendo por não te ter por perto era nauseante. Se te amei com todas as minhas forças, então porque estou feliz sem você? Não pareceu certo.

Senti a necessidade de sofrer para provar um ponto, para que tudo aquilo que passamos juntos não se tornasse irreal, fotografias de um outro alguém.

Tentei me agarrar a todo aquele amor que sentia por você mas eu o perdi há tanto tempo que nem conseguia te chamar de nostalgia. Era eu ali, vivendo e me sentindo culpado por viver, porque em minha mente eu não deveria estar feliz sem você e no entanto, estava. Não parecia certo.

Um cão roendo um osso seco que há muito tempo perdeu o seu sabor. Há algum tempo somos desconhecidos e talvez eu queira te conhecer de novo.Talvez eu queira me conhecer de novo. O que sobrou de mim, depois que você me deixou?

Talvez tudo seja insegurança, talvez eu queira voltar ao conforto de saber o que queria, quando tudo o que queria era você. Talvez eu fosse uma criança, talvez, eu fosse uma criança.

Eu queria te conhecer de novo, porque você foi a melhor pessoa que conheci, até que me acostumei com você e você se acostumou a nós dois, até que o hoje de cada dia se tornou ontem e o ontem se tornou frustração.

Até que nos forçamos a continuar e nos forçamos a nos amar quando tudo o que havia era a facilidade do sim e a dificuldade do não. De rejeitar nossa condição insustentável.

Eu quero te conhecer de novo, e falar daquele filme antigo que só nos dois assistimos, eu quero te conhecer de novo, porque você foi a segunda melhor pessoa que conheci, porque você me mostrou que a melhor pessoa que conheço sou eu e me ajudou a aceitar que eu era tudo aquilo que sonhava ser mas tinha vergonha de admitir.

Ainda me sinto culpado, quando me pego a sorrir, mas já não me obrigo mais a chorar, o que foi bom, foi bom, e o que acabou, existiu.

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