Atlas

A dor vai continuar ali
Se eu disser que está doendo
A dor vai continuar ali
Se você disser que passa.

A dor vai continuar ali
Se eu não olhar para as feridas
A dor vai continuar ali
Se eu fingir que não dói.

O incomodo não vai passar
Se eu não mudar de posição
A dor vai continuar ali
Se você disser que não.

A dor vai continuar ali
Quando todos os presentes chegarem
A dor vai continuar ali
Quando todos se forem.

A dor vai continuar ali
Como uma amiga, talvez
Como uma professora, talvez
E talvez, talvez…

Eu me esqueça
E permaneça
Além.

De olhos vendados ou não
De peito estirado ou não
Derrotado, ou não.

Mas eu, que um dia fui outro
Que hoje sou quem
Não posso deixar a dor me tornar um ninguém
Não posso deixar que a dor viva por mim.

Não posso deixar, não posso deixar
Que eu me perca de mim
Que eu me esqueça de mim
Que falem por mim.

Eu tenho voz,
Mas ela tem medo
Eu tenho sonhos
Mas eles têm medo.

Eu tenho dores
Que me obrigam a sentir quando não quero
E me lembram que sinto, e por isso estou vivo
Eu tenho vazios
Preenchidos por tédios agonizantes.

A minha dor não é raiva, fogo ardente
Para se apagar
A minha dor é gelo, frio simplesmente
Não há uma válvula de escape
Mas há brisas no deserto
E quem sabe, pessoas
Não miragens, algo concreto.

Eu tenho tudo em minhas mãos, pois as mãos são minhas
Mas minhas mãos estão ocupadas
Segurando o mundo
Eu sei
Mas tento esquecer
E eu tenho medo, por saber
Eu tenho eu.

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